O franchising é um modelo de expansão de marcas que tem como premissa a padronização. Negócios testados e consolidados cedem marca e know-how, manualizando gestão e processos, em troca de royalties sobre a venda de produtos e/ou serviços. Dessa forma, de um lado, a marca franqueadora ganha velocidade para crescer com capital externo e o candidato a empreendedor/franqueado começa o negócio com uma marca já reconhecida pelo mercado e com o caminho com menos riscos.

Seguindo o princípio que rege o sistema, o franchising brasileiro se apresenta como um bom caminho para a expansão e consolidação de um conceito que não é tão novo, mas que ganha cada vez mais o coração e mentes de consumidores e investidores em todo o mundo: o ESG. A sigla em inglês – environmental, social and governance – pode ser traduzida como ambiental, social e governança, em português.

“O ESG é um assunto que começou naturalmente nas grandes indústrias e que estamos conseguindo desmistificar para outros setores. A primeira impressão é que o ESG é só para as grandes empresas e que é muito complexo. Ele acontece com um passo de cada vez. Não existe um manual para todo mundo. Mas, ao mesmo tempo, é preciso começar a construir a cultura, fazendo os franqueados perderem o medo, começando com ações simples. Ser responsável, correto, ativando o hormônio da felicidade e esse é um bom estímulo”, explica Abreu.

franchising brasileiro é poderoso e resiliente. O balanço de 2021 divulgado pela ABF, em março, mostrou a recuperação do setor depois da crise sem precedentes vivida no ano anterior pela economia mundial em virtude da pandemia. De acordo com o estudo, o setor de franquias no Brasil faturou R$ 185 bilhões, contabilizando um crescimento de 10,7% em relação a 2020, chegando a patamar semelhante ao de 2019, que foi de R$ 186,755 bilhões. A expectativa é de que este ano o desempenho se mantenha, superando o valor de R$ 201 bilhões em faturamento e 182 mil unidades em funcionamento.

E Minas Gerais cumpre bem o seu papel. No Estado, o faturamento cresceu 10,8% no mesmo período, saltando de R$ 13,09 bilhões para R$ 14,51 bilhões, o que significa 7,8% do total nacional.

“Não há um só município brasileiro que não tenha, ao menos, uma unidade franqueada. Essa capilaridade permite que levemos não apenas conhecimentos em negócios, mas outros tantos, a todos os cantos do País. O importante é mostrar que é possível fazer, começando por atitudes simples, que cabem no dia a dia, sem custos, como separar o lixo, se envolver em projetos sociais na comunidade do entorno, contratar utilizando critérios de diversidade, por exemplo. É claro que mais para frente será preciso pensar em ferramentas de mensuração, relatórios, mas comece imediatamente”, pontua.

No mesmo sentido caminham as orientações do sócio-fundador do GSPP – empresa especializada em formatação e comercialização de franquias e empresas – André Luís Soares Pereira. Segundo ele, empresas que não se preocupam com o ESG estão fadadas a desaparecer. Consumidores e investidores, além de agentes financiadores, cada vez mais usam critérios ESG para nortear suas decisões.

“As empresas têm que tomar a iniciativa, começar a fazer. Às vezes o franqueado pensa que é muito pequeno e que suas práticas não terão impacto no mundo. Entendo que se cada um contribuir, daremos um grande passo para um mundo mais equilibrado. Primeiro é preciso conscientizar a equipe, treinando, alinhando. Se os franqueados não tiverem consciência da importância disso, não adianta nada. A partir daí é preciso que a franqueadora mostre os benefícios de fazer o ESG para o franqueado. Mostrar que o investidor só vai colocar dinheiro em quem faz e que o consumidor só vai comprar de quem faz. O ESG fortalece a marca, tornando-a referência para o mercado e a sociedade, levando satisfação para a equipe. No futuro, tudo isso leva ao aumento da receita da empresa através de oportunidades estratégicas”, destaca Pereira.

O desempenho econômico está na base da sustentabilidade e deve ser visto com um dos resultados finais dos esforços por negócios mais responsáveis com o meio ambiente e a sociedade e que primam pela transparência e ética. Por outro lado, é preciso todo o cuidado para não deixar que a causa ESG se torne apenas uma peça de marketing, se tornando um discurso vazio, o chamado greenwasing – termo do inglês que pode ser traduzido como “lavagem verde” -, que se refere a uma divulgação de informações equivocadas em defesa do meio ambiente realizada por organizações, quando essas empresas não praticam tais ações que minimizam os impactos ambientais, induzindo, assim, o consumidor ao erro.

“O ESG parte de um processo de comunicação e educação. Nele, nenhuma ação é menor que a outra. É sempre importante mensurar, acompanhar os resultados inclusive para apresentar aos consumidores e parceiros. E é necessário muito cuidado para diferenciar quem faz de quem só fala. Não pode contar uma história maior do que a que acontece. O ESG atrai diferentes tipos de capital, a começar pelo consumidor, passando pelos financiadores e depois pelo capital externo. Mas é uma construção que exige consistência, com projetos de médio e longo prazo. A credibilidade vem da mensuração. Ao mesmo tempo os processos melhoram, recursos naturais são economizados e tudo isso traz resultados econômicos com a redução de custos”, analisa o coordenador do comitê de ESG da ABF.

FONTE: DIÁRIO DO COMÉRCIO

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